terça-feira, 1 de março de 2016

AEJ OU AEROBIO EM JEJUM - parecer médico do Dr. Paulo Muzy

 " Este artigo deixo bem claro, não foi escrito por mim e sim pelo Dr Paulo Muzy, médico do esporte, ortopedista, endocrinologista , fisiologista e atleta , um nome já antes citado neste blog pois acompanho seu trabalho e lhe indico pacientes penso eu mais que uns 10 anos..."



AEJ: ainda é um motivo de discussao ampla no mundo cientifico ainda que seja uma pratica comum por atletas internacionais. Por que eles fazem? Seria estupidez? Seria mentira - ou seja, nao fazem e dizem que fazem? Se voces seguirem o Dawyne Johnson "The Rock" @therock vao perceber que em muitas postagens dele ele fala e faz "cardio as the first thing in the morning". O problema é que se fazer exercício em jejum é uma idéia absurda para qualquer um que gosta de se exercitar e portanto a comunidade cientifica motivada mais pelo preconceito do que pelo conhecimento respondeu a esta pratica com uma serie de trabalhos cientificos onde a metodologia e os itens avaliados sustentavam o fato de que realmente o exercicio em jejum era prejudicial até que em 2007, a pesquisadora Karen Proyen decidiu estudar sem viéses ou opinioes pre estabelecidas e em vez de negar o inegavel entendeu porque ele acontecia. Segundo os estudos dessa autora o exercicio aerobio de baixa intensidade no jejum era capaz de "treinar" nosso aparelho enzimatico (mitocondrias por favor levantem a mao) a trabalhar de forma otimizadda quando energia fosse oferecida. O que ela descobriu portanro foi que o cardio em jejum funciona porque aumenta a capacidade oxidativa ao longo do dia devido ao stress metabolico que este causa a este sistema de obtencao de energia. Por ser um assunto da moda, falo sempre nos meus cursos sobre isso e hoje estou pegando a companhia de voces enquanto treino porque assim ajuda este tempo passar melhor - afinal nao ha forma mais eficiente de se transformar 1 segundo em uma hora do que aerobio: depois de meia hora que voce olhou pro lado, viu o aparelho, pensou nas coisas do seu dia e etc, voce olha na pouham do visor e ele marca que se passaram miseros 15 segundos... Evidentemente que esta modalidade nao é pra todo mundo, e nem de qualquer jeito. A foto mostra uma planilha que apresenta intensidade e frequencia cardiaca: percebam como é baixa... Afinal de contas suas mitocondrias sao muito mais fracas que seus musculos... 


" em um segundo artigo em completa ainda outras informações cientificas à respeito do tema:"




Mais uma sobre aeróbio em jejum...
Leptina e aeróbio em jejum...
Estava lendo um artigo ontem de um pesquisador chamado Mike Nelson que estudou sobre a expressão dos receptores de leptina que pode ajudar a jogar mais informação na velha discussão sobre a real necessidade/utilidade de se fazer aerobiose em jejum.
primeiro o que é leptina: hormonio produzido pela gordura que foi descoberto por Ingalls na decada de 50 e "redescoberto" por outro pesquisador chamado Zhang na decada de 90 com o intuito de utilizar tal hormonio para regular o apetite.
A história é a seguinte, depois de sua descoberta, o conhecimento sobre a leptina ficou dormente até que Zhang, depois de criar camundongos obesos por nao produzirem tal hormonio injetou leptina neles e os emagreceu. Naquele momento ele e sesu colegas comemoraram a cura da obesidade mas ao medir a leptina em pacientes humanos e obesos descobriram que em vez de ser baixa, esta era altissima, portanto, suplementar leptina ao humano obeso seria algo como jogar um dedal de água numa piscina para tentar enche-la. Assim, a hipotese de que a obesidade no que se refere a leptina pode ser na realidade uma baixa regulação da expressão dos receptores para esta, fazendo com que o mecanismo de apetite que ela controla deixe de ser ativado e ela se acumule inutilmente...
A história da Leptina nao parou por aí...
Em 2011 um autor chamado Guerra decidiu estudar o padrão de sinalização da leptina secundária a realização da atividade física.
Em uma de suas tentativas ele realizou um teste de Wingate (como um sprint) em dois grupos de indivíduos: um grupo em jejum e outro grupo com uma ingesta de 75g de glicose uma hora antes da atividade física.
O resultado, descoberto através de biópsias musculares, foi que o grupo que realizou o sprint em jejum, sem a glicose, teve o mesmo padrao de sinalização da leptina que o rato obeso que levou a injeção de leptina apresentou (Zhang), sugerindo ainda que a insulina impede este efeito pelo fato do grupo glicose nao ter apresentado o mesmo resultado.
Assim, eu consigo jogar mais conteúdo numa longa discussão sobre o aeróbio em jejum que eu, Rodolfo Pere, Henry Okigami e mais um bando de fisiculturistas sempre se vêem em explicações bioquímicas bem estabelecidas para explicar porque funciona ou por que não funciona...
Aparentemente, por mais que o Henri tenha razão quando defende que não há sentido em fazer aeróbio em jejum, o resultado experimental dá um resultado diferente e até então eu vinha me debatendo com dificuldade de explicar porque.
O que pode acontecer é que em algumas situações, a sinalização muscular da Leptina causada pelo exercício aeróbico em jejum pode ser mais intenso do que o estímulo que poderia ser atingido com uma refeição pré-aeróbio trazendo dessa forma um resultado que do ponto de vista bioenergético não é possivel. E não é mesmo... só estudando algo completamente desrelacionado é que podemos explicar o porquê do exercício aeróbico em jejum ter tal efeito lipolítico tão propagado no mundo do fisiculturismo.
Vale lembrar que o sprint realizado em jejum foi de um exercicio aeróbio muito intenso (100% da capcidade máxima) por 30 segundos e só. O que está comprovado cientificamente é isso. Exercícios de longa duraçao em jejum nao tem base científica nenhuma e vale lembrar que na ausência de carboidrato, a atividade física pode ser uma grande promotora da liberação de cortisol, que irá realizar gliconeogenese, ou seja, quebrar massa muscular para obtençao de energia - logo, seja atento e perceba quando de fato o que você tem feito tem lhe trazido resultado positivo.
Uma pergunta fica no ar para mim: e se usássemos BCAA?? (dariamos substrato energético sem elevação da insulina bloqueando a liberação de cortisol e assim quem sabe poderiamos prolongar a atividade física aumentando a queima seletiva de gordura...). Precisa ser estudado, até porque talvez não precise ser de fato assim, já que o que se objetiva não é gasto calórico: é a sinalização para função da Leptina, que já é conseguida aos 30s de estímulo...
Lembra: fisiculturismo é nunca deixar de fazer o que é necessário e evitar o máximo possível o que é denecessário... Desengordurar o corpo muitas vezes é tambem desengordurar a rotina de treinos...
fiquem atentos !!

Muzy



Abaixo a bibliografia dos pesquisadores citados para darmos justo crédito aos caras que descobriram isso:
Guerra, B., Olmedillas, H., Guadalupe-Grau, A., Ponce-Gonzalez, J. G., Morales-Alamo, D., Fuentes, T., . . . Calbet, J. A. (2011). Is sprint exercise a leptin signaling mimetic in human skeletal muscle? Journal of Applied Physiology (Bethesda, Md.: 1985), 111(3), 715-725. doi:10.1152/japplphysiol.00805.2010
Zhang, Y., Proenca, R., Maffei, M., Barone, M., Leopold, L., & Friedman, J. M. (1994). Positional cloning of the mouse obese gene and its human homologue. Nature, 372(6505), 425-432. doi:10.1038/372425a0
Mike T Nelson is a doctoral candidate in Exercise Physiology and NSCA CSCS certified. Mike is a dynamic keynote speaker, and coach to people focused on increasing performance with less joint pain.

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